“Esta matéria a baixo, foi publicada no Jornal Notícias do Dia, em 18 de janeiro de 2011, pelo jornalista Aldo Urban. Uma referência, através do Sr. Santana que é o símbolo vivo do trabalho realizado pela Associação Catarinense dos Renais Crônicos de Joinville.
Um exemplo de superação na luta pela vida
Três décadas de hemodiálise fizeram de José Gomes Santana um vencedor
Cada vez que alguma pessoa sai daqui, é mais uma vitória pra mim, é mais um motivo pra que eu continue a viver.” O depoimento é de José Gomes Santana, paciente de hemodiálise há 31 anos, fundador e atual presidente da Associação Catarinense de Doentes Renais Crônicos – que começou como Associação Joinvilense dos Doentes Renais, mas que precisou ampliar a atuação, devido ao prestígio e à competência do trabalho desenvolvido pela entidade. “Meu trabalho aqui na associação me dá mais força para continuar a viver. Cada pessoa que sai da hemodiálise e consegue um transplante de rim significa uma vitória para mim – e para ela, claro”, diz Santana, hoje convivendo com sequelas produzidas pela hemodiálise, que deixaram seu corpo enfraquecido, o braço esquerdo entumecido pelas agulhadas tomadas ao longo de três décadas, o andar claudicante, mas a mente totalmente desperta para a luta contra a doença.
Santana é o segundo de uma longa escadaria de irmãos. Nasceu numa pequena cidade do leste mineiro, Santa Maria do Suaçuí, em 1956. Aos 8 anos de idade, já ajudava a família no trabalho na roça. Antes de completar 1 ano, perdia o pai. Aos 16 anos foi para Alto Piqueri, no Paraná. “Continuei na roça, depois fui para Cascavel e Toledo, até vir para Joinville, que precisava de mão de obra para a indústria.” Aos 22 anos, se empregava na Consul. Casou-se em Joinville, teve três filhos e três netos e hoje se orgulha de morar numa cidade que o acolheu. Foi um dos primeiros moradores do Profipo, então um simples conjunto habitacional popular. “Havia umas oito casas lá. Hoje é quase uma cidade!”, espanta-se Santana, ainda morador do mesmo local.
Diagnóstico
Cinco anos após entrar na Consul, depois de muitas queixas de dores e dificuldades para urinar, chega o diagnóstico: “O médico da empresa me encaminhou para um especialista, e o dr. Amaro Joaquim Alves deu o diagnóstico de que meus dois rins estavam secos”. Santana tinha 26 anos.
No dia 12 de dezembro de 1981, ele entrava no Hospital São José, para a primeira sessão de hemodiálise. “É uma vida diferente. Ao mesmo tempo em que o tratamento filtra o teu sangue, provoca outros efeitos, abreviando a vida”, conta Santana, agora claudicante ao andar – “Faz dois meses que deixei de dirigir” – e com dificuldades de movimentar o braço esquerdo, marcado pelos 31 anos de agulhadas.
Um ano e meio após iniciar o tratamento, Santana fez um transplante. “Houve rejeição, pois meu organismo tem uma quantidade muito alta de anticorpos.” Conformado, continuou no tratamento, tirando desta rotina a força para trabalhar na presidência da Associação Catarinense de Renais Crônicos, a ACRC , sucessora da Associação dos Doentes Renais de Joinville, fundada por ele mesmo em 1996. A entidade é hoje uma referência nacional, tanto que recebe doentes de todo o país. “Para mim, cada doente tratado e cada pessoa transplantada significa uma vitória. Com esse trabalho, eu vivo mais”, conclui Santana, em tratamento para voltar a dirigir em breve.











